Neymar, Paulinho, Bernard, Vitinho, Wellington Nem, Fernando, Fred... A lista de jovens talentos que deixaram o futebol brasileiro durante os últimos meses rumo à Europa é longa e foi selada na segunda-feira passada com o fechamento da janela de transferências no Velho Continente. Entre promessas como Vitinho e realidades como Neymar, o fato é que os clubes do país viram a debandada de uma geração que, ao que tudo indica, será protagonista na seleção brasileira nos próximos Mundiais.
É bem verdade que esse processo não começou agora. Há um ano, Oscar deixava Porto Alegre e o Inter rumo a Londres para defender o Chelsea. Lucas fez o mesmo seis meses depois ao trocar o São Paulo pelo PSG. Mas nessa janela vários nomes foram embora de uma só vez, sendo que quatro deles defenderam a seleção brasileira na vitoriosa campanha na Copa das Confederações (Neymar, Paulinho, Bernard e Fernando).

- Estar aqui no vestiário, olhar para um lado e ver o Messi, olhar para outro e ver o Iniesta, o Puyol... É a realização de um sonho para mim - disse Neymar, no início de agosto, pouco após se apresentar ao treinador Tata Martino para iniciar os trabalhos no Barcelona.Ao todo, os sete jogadores citados no início do texto movimentaram algo em torno de R$ 475 milhões (segundo os números do site "Transfermarket") para seus respectivos clubes. Neymar, evidentemente, foi o protagonista ao trocar o Santos pelo Barcelona por 50 milhões de libras (R$ 184,5 milhões ou € 57 milhões). Para o jovem craque brasileiro, uma mudança que representou uma chance de estar entre os melhores do mundo.
A valorização aconteceu após o novo camisa 11 catalão faturar a Libertadores e amadurecer a ponto de se tornar a referência da Seleção jogando no Brasil. Bernard e Paulinho também venceram o torneio continental como protagonistas de seus respectivos clubes e disputaram a Copa das Confederações antes de serem vendidos. Mas tiveram alguns mais apressados, como Vitinho, que se rendeu ao futebol russo tão logo começou a brilhar pelo Botafogo.
Italianos também levam promessas
Além de Neymar, o Peixe perdeu ainda o meia-atacante Felipe Anderson e o goleiro Rafael para os italianos Lazio e Napoli, respectivamente. O volante Jádson, assim como Vitinho, foi outro jovem talento a deixar o Botafogo. Acertou com o Udinese. A Velha Bota também foi o destino do lateral-direito Wallace, ex-Fluminense, emprestado ao Internazionale de Milão pelo Chelsea. O zagueiro Rodrigo Moledo, por sua vez, trocou o Inter pelo Metalist, da Ucrânia.
Os ex-são-paulinos Casemiro e Henrique são um caso à parte. O volante chegou ao Real Madrid B no início do ano por empréstimo e, após se destacar, foi contratado em definitivo e promovido à equipe de Carlo Ancelotti durante a janela de transferências.
- Desde que cheguei ao Real, fui muito bem tratado pelos funcionários do clube e pelos companheiros, tanto do Castilla quanto do time principal. A adaptação foi muito rápida mesmo. Em campo, fui me acostumando aos poucos com o estilo de jogo mais rápido aqui da Espanha, com toques rápidos. Hoje, já me sinto bem adaptado. No dia a dia, vou me adaptando cada vez mais - avaliou o volante Casemiro.
Os espanhóis gostaram da experiência e fizeram o mesmo com o ex-atacante do Botafogo, eleito melhor jogador do Mundial Sub-20 há dois anos, e vão testá-lo no Castilla ao longo da próxima temporada.

- Na Ucrânia, eu tinha a vida estável, adaptado, adorava o clube. Mas depois que fiquei fora das convocações no início de 2012 e não voltei mais, foi algo que mexeu comigo. E depois surgiu essa oportunidade de me transferir para a Inglaterra. Quis ir porque vai me dar uma visibilidade maior, tanto no Brasil, como na Europa toda também - disse Fernandinho, contratado por € 40 milhões (R$ 124,5 milhões) pelo Manchester City.No entanto, nem todos os brasileiros que reforçaram os clubes europeus na temporada tiveram necessariamente que cruzar o Atlântico em busca de mais evidência. Tiveram os casos dos que saíram de um time menos potentes do continente para outro com maior poderio econômico. Os meias Fernandinho e Willian são dois bons exemplos. Após brilharem juntos com a camisa do Shakhtar, da Ucrânia, estarão agora em lados opostos na Inglaterra. O primeiro deles foi para o Manchester City, enquanto o segundo, após um semestre no Anzhi, chegou ao Chelsea, de José Mourinho.
Não há como deixar de citar também Marquinhos, ex-zagueiro do Corinthians contratado pelo Paris Saint-Germain ao Roma por € 35 milhões (R$ 109 milhões). Enquanto isso, o lateral-esquerdo Guilherme Siqueira, de 27 anos, quase parou no Real Madrid. Mas, no último dia da janela que se fechou às 23h (de Brasília) da última segunda-feira, os dirigentes merengues se enrolaram para acertar a saída do português Fábio Coentrão para o Manchester United, e o ex-jogador do Granada, da Espanha, acabou fechando com o Benfica, de Portugal. E acabou sendo inscrito pelo time luso na Liga dos Campeões, na vaga de Cortez, ex-Botafogo
Caminho de volta
Apesar da perda de novos talentos, curiosamente, o maior fluxo de jogadores neste ano foi de jogadores que deixaram Portugal com destino ao Brasil. De 1º de janeiro até a última segunda-feira, foram 132 transferências que cruzaram o Atlântico após deixar a Terrinha. Já o fluxo que envolveu os maiores valores foi da Espanha para a Inglaterra: US$ 227 milhões (R$ 708,3 milhões) com a transação de 38 atletas.